No dia 14 de agosto, a sede do Caranguejo Uçá, na Ilha de Deus (Recife), foi palco de uma roda de conversa sobre saúde e riscos na pesca artesanal. O encontro reuniu pescadores e pescadoras da comunidade, pesquisadores da Fiocruz e do LMI TAPIOCA, além de representantes do CESAM (Centro de Saúde Alternativa de Muribeca), em um esforço conjunto para ouvir as demandas de quem vive da pesca artesanal e construir caminhos para políticas públicas mais justas e efetivas.

Durante a atividade, foram apresentados os resultados de uma pesquisa realizada com pescadores e pescadoras da Ilha de Deus e de Rio Formoso, destacando os riscos físicos e mentais mais frequentemente mencionados, bem como as soluções propostas pelos próprios trabalhadores e trabalhadoras da pesca. Os dados revelaram um retrato detalhado das dificuldades diárias, desde lesões e fadiga até o estresse provocado pela insegurança e pela falta de reconhecimento institucional.


Pesquisadores da Fiocruz compartilharam resultados de uma cartografia social participativa e de estudos sobre as consequências do derramamento de petróleo de 2019 para a comunidade da Ilha de Deus, evidenciando os impactos ambientais e sociais que ainda ecoam na região. A roda de conversa também contou com a participação de uma profissional do CESAM, que apresentou e discutiu com os participantes o uso de plantas locais e remédios naturais como alternativas acessíveis e culturais para o cuidado com a saúde. Ao final da atividade, os participantes receberam kits de proteção com protetor solar, camisas UV, repelentes e chapéus — sorteados durante o encontro, como parte das ações voltadas à prevenção de riscos nas atividades da pesca.
O encontro terminou com uma discussão coletiva sobre as principais prioridades para futuras políticas públicas. Entre elas, destacaram-se a necessidade de profissionais de saúde especializados nas realidades da pesca, o enfrentamento das diferentes formas de poluição, uma maior participação dos pescadores nas decisões que afetam suas atividades e o reconhecimento e proteção dos territórios da pesca artesanal.
A roda de conversa reforçou a importância de construir pesquisas e políticas públicas a partir do diálogo com as comunidades pesqueiras, valorizando suas experiências, saberes e prioridades. Mais do que um espaço de escuta, o encontro afirmou a necessidade de que as vozes de quem vive do mar sejam protagonistas na construção de um futuro mais justo e sustentável para a pesca artesanal.


